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Ex-prefeito de Gurinhatã é acusado de ameaça por atual prefeito

Por Adelino Júnior | 28/05/2026 08h00

O embate entre o atual prefeito de Gurinhatã, Douglas  Valente, e o ex-prefeito Wender Luciano Araújo Silva ganhou um novo capítulo.

Douglas acusa formalmente Wender de ameaça. O caso já possui registro formal da Polícia Militar por ameaça consumada, feito no dia 22 de maio de 2026. Segundo o boletim de ocorrência, Douglas relatou que o episódio ocorreu após uma abordagem registrada em vídeo, em que ele aparece caminhando pela rua em direção à caminhonete do ex-chefe do Executivo. A motivação registrada pela PM foi “disputa política”.


Segundo o registro policial, Douglas afirmou que Wender teria dito em tom “agressivo e intimidatório”: “Aquele BO que você fez contra mim, vamos resolver nós dois”. O prefeito afirmou à PM que se sentiu ameaçado e temeu por sua integridade física.


A fala estaria relacionada ao boletim de ocorrência ligado ao caso de Barretos. O caso envolve a casa de apoio usada por pacientes de Gurinhatã em tratamento contra o câncer.


Caso de Barretos voltou ao centro da disputa
O pano de fundo da nova acusação é um procedimento que apura a retirada de móveis da casa de apoio em Barretos. Segundo a atual gestão, os itens teriam sido levados para uma fazenda vinculada ao ex-prefeito.

A acusação é grave porque toca em um ponto sensível: a estrutura de apoio a pacientes em tratamento oncológico fora do município. Em cidades pequenas, esse tipo de serviço costuma ter peso emocional e político muito forte.


Na prática, o episódio desloca a disputa entre Douglas e Wender para uma arena mais delicada. Não se trata apenas de divergência administrativa. O caso envolve patrimônio público, assistência a pacientes e eventual responsabilização criminal.

Pressão jurídica e desgaste político
Wender Luciano já aparece em diferentes frentes de questionamento público e institucional.


Em 2023, o Regionalzão mostrou que ele foi alvo de ação popular envolvendo a devolução de uma área pública doada a uma empresa ligada ao ex-prefeito. A decisão de primeira instância determinou a reversão do imóvel ao patrimônio municipal.

Em 2025, a Prefeitura de Gurinhatã também publicou ato administrativo sobre possível irregularidade na execução de emenda de transferência especial, no valor de R$ 1,5 milhão. O documento determinou o envio integral do procedimento ao Ministério Público de Minas Gerais e ao Tribunal de Contas do Estado.


Além disso, a atual gestão também atribui ao ex-prefeito outras frentes de investigação e responsabilização, incluindo ameaça, peculato no caso de Barretos, uso irregular de verba pública e acusação de homofobia.

A Coluna Poder trata todos os casos como acusações, procedimentos ou processos em andamento, sem antecipar culpa. O espaço segue aberto para manifestação de Wender Luciano ou de sua defesa.


O efeito político em Gurinhatã
Douglas tenta transformar os casos herdados em marca de governo. Wender, por outro lado, segue como figura da oposição local, mesmo fora do cargo.

Durante sua passagem pela Prefeitura, Wender também ficou marcado por embates políticos intensos e pela fama de perseguidor político entre adversários locais, cenário que ainda influencia diretamente a leitura política dos fatos atuais no município.

Um dos episódios mais lembrados na cidade envolve a construção de um muro em uma praça pública, durante sua gestão, em frente ao restaurante de um opositor político. Na época, críticos afirmaram que a estrutura teria sido usada para impedir a visibilidade direta do estabelecimento, caso que virou símbolo do ambiente de tensão política vivido em Gurinhatã durante aquele período.

Esse tipo de embate tem efeito direto na cidade. A disputa deixa de ficar restrita aos gabinetes e passa para a rua, para as redes sociais e para os boletins de ocorrência.

Em Gurinhatã, a política continua sendo movida por memória, território e grupo. Cada novo fato jurídico vira munição para a próxima rodada de articulação.

O caso de Barretos, por envolver pacientes em tratamento contra o câncer, tem potencial para gerar um desgaste maior. E a acusação de ameaça adiciona um ingrediente de confronto pessoal a uma crise que já vinha sendo política e administrativa.